Você com concerteza já ouviu falar do Aedes aegypti, mosquito vetor do vírus que causa a microcefalia em embriões, fetos e bebês. Mas você também deve ter inúmeras dúvidas sobre o vírus e, principalmente, essa doença que aterrorizou e ainda aterroriza muitas pessoas pelo Brasil inteiro.

As grávidas, que deveriam manter-se longe de estresse e preocupações nessa época tão bonita da vida, estão tendo cada vez mais motivos para se preocupar e um deles é a alta ocorrência de microcefalia em fetos e recém-nascidos. Saiba agora tudo sobre a doença e tire suas principais dúvidas em relação às causas, consequências, prevenção e tratamento:

 

microcefalia

 

Definição da doença:

A microcefalia é uma condição em que o cérebro da criança é muito menor do que deveria, em relação a crianças com o mesmo tempo de vida. Consequentemente, a cabeça também é menor. Pode ou não estar associada a um excesso de pele na nuca e é especialmente problemática porque os ossos do crânio que deveriam estar abertos para permitir o crescimento cerebral fecham-se prematuramente.

 

Classificações da doença:

Primária: quando ocorre o fechamento dos ossos craniais até os 7 meses de gestação, impedindo o correto crescimento do cérebro;

Secundária: quando os ossos se fecham no fim da gravidez ou em pouco tempo após o nascimento.

Quais são as causas da microcefalia?

Resultado de um crescimento cerebral e cefálico insuficiente durante a gestação ou logo após o nascimento, existem algumas causas conhecidas para a doença:

  • Causas genéticas: algumas doenças genéticas como a trissomia 21 (Síndrome de Down), trissomia 18 (Síndrome de Edwards), Síndrome do Miado de gato, entre outras, podem resultar em microcefalia. Essas Síndromes são causadas por defeitos cromossômicos no código genético da criança atingida;
  • Complicações de saúde na gravidez ou parto: malformações do SNC (sistema nervoso central), diminuição de oxigênio no cérebro do feto, rubéola e toxoplasmose materna, etc;
  • Causas ambientais: exposição a drogas em geral e alguns produtos químicos, infecções virais como o zika vírus ou citomegalovírus (causador de herpes bucal e genital), desnutrição materna.

 

Zika vírus e a microcefalia: qual a relação e sintomas?

Especialmente perigoso no primeiro trimestre de gestação, a infecção da gestante por zika vírus acaba resultando em um desenvolvimento cerebral insuficiente, pois o vírus atravessa a placenta e causa danos ao feto. Essa condição foi confirmada após o vírus ser encontrado no líquido amniótico de grávidas que tiveram a febre zika e no líquido cefalorraquidiano dos bebês que nasceram com microcefalia.

Entre os sintomas de zika, estão: febre, dores nas articulações, manchas vermelhas pelo corpo, coceira e olhos vermelhos.

Atenção: a doença pode ser assintomática. Assim sendo, se houve picada de mosquito e há dúvida sobre qual sua espécie, é importante consultar um médico.

Ainda não há vacina para esse vírus.

 

É possível prevenir?

É possível. As causas genéticas são um problema quando os pais apresentam algum tipo de doença, portanto é importante realizar um aconselhamento genético antes de tentar engravidar;

Realizando o pré-natal da forma correta, as chances da doença aparecer no bebê são drasticamente reduzidas. Além disso, existem cuidados a serem tomados:

  • Não ingerir álcool: por menor que seja a concentração, é melhor prevenir. O consumo de álcool na gestação predispõe o feto a várias doenças, entre elas a Síndrome do Alcoolismo fetal e microcefalia;
  • Não se automedicar: por mais que você leia e releia a bula, pode ser que alguma coisa passe despercebida. Apenas médicos podem orientar sobre quais medicamentos tomar, pois se automedicar pode resultar em malformações fetais, inclusive as cerebrais que causam a microcefalia;
  • Evitar exposição a vírus: evite multidões e locais fechados, onde a concentração de vírus é maior, assim como a possibilidade de contágio de doenças;
  • Ser higiênica: lavar as mãos com frequência, usar álcool em gel quando não houver água e sabão por perto e não entrar em contato com fezes de animais domésticos são alguns cuidados essenciais para evitar infecções que podem resultar em microcefalia;
  • Evitar a criação de Aedes aegypti: como uma das causas da microcefalia é a infecção por zika vírus, transmitido por esse mosquito, é importante evitar acúmulo de água parada, usar repelentes recomendados, roupas compridas e telas em janelas, além de manter caixas d’água bem fechadas, mantendo o mosquito bem longe.

 

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico geralmente é feito durante a gravidez, através das ultrassonografias ou até mesmo após o nascimento da criança, quando constatado que a cabeça não está crescendo como deveria. Sendo assim, é essencial que um pediatra seja consultado regularmente, a fim de realizar as medições necessárias.

Alguns exames também podem ser solicitados, caso haja dúvidas por parte do médico ou para medir a gravidade da doença:

  • Ressonância magnética;
  • Tomografia computadorizada da cabeça;
  • Exames de sangue que ajudarão a determinar a causa da microcefalia.

Outros profissionais que podem realizar o diagnóstico: clínico geral, neurologista ou neurologista infantil.

O diagnóstico final é dado quando a criança de 15 meses tem uma cabeça com diâmetro inferior a 42cm.

 

Quais são as consequências da microcefalia?

É importante ressaltar que essas são possíveis consequências da doença, o que não significa que a criança apresentará todas elas:

  • Alterações e atraso na fala;
  • Atraso nas funções motoras;
  • Autismo;
  • Déficit intelectual;
  • Dificuldades de coordenação;
  • Distorções faciais;
  • Epilepsia;
  • Hiperatividade;
  • Nanismo;
  • Paralisia, entre outras.

Algumas crianças microcefálicas não chegam a apresentar dificuldades de aprendizado.

 

Existe cura para microcefalia?

Infelizmente, não. Não existe maneira de fazer com que a cabeça da criança volte a ter o tamanho normal para a sua idade, mas existem tratamentos que, quando realizados desde o início da vida, melhoram o desenvolvimento de quem possui a doença:

Fisioterapia: prevenirá complicações respiratórias e úlceras por passar muito tempo na cama ou em cadeira de rodas, além de aumentar o equilíbrio e evitar atrofia e espasmos musculares;

Fonoaudiologia: os problemas e atraso de fala são comuns em microcefálicos, portanto o acompanhamento com fonoaudiólogo pelo menos 3 vezes na semana é primordial para melhorar a qualidade de vida;

Terapia ocupacional: realizar atividades simples como escovar os dentes ou comer com talheres ajudam na independência da criança. Socializar com outras crianças em escolas também é importante.

 

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Há também a possibilidade de realizar uma cirurgia que vai separar ligeiramente os ossos craniais, diminuindo a pressão sobre o cérebro. Essa cirurgia deve ser realizada até os 2 meses de idade.

Como conviver com uma criança microcefálica?

Apesar de ser uma condição indesejada, todos podem aprender a conviver bem com ela. Além do apoio de amigos e familiares, é importante buscar ajuda profissional:

  • Professores: a criança precisará de um atendimento diferenciado, que nem todos os professores estão preparados a oferecer. Assim sendo, é essencial que um profissional de confiança acompanhe e estimule o desenvolvimento cognitivo dela;
  • Psicólogos: os pais sofrem com a condição de seu filho e é possível que necessitem de terapia para aprender a aceitar e conviver com a situação, assim como a criança microcefálica.

É importante lembrar que a criança doente pode ter a mesma expectativa de vida das que não possuem a doença, quando os tratamentos são feitos corretamente.

 

Agora que você já sabe tudo e tirou todas as suas dúvidas sobre a microcefalia, pode prevenir a doença ou ajudar outras pessoas a prevenir ou conviver com ela. Compartilhe o conhecimento! Não deixe de espalhar esse conteúdo por aí.

Microcefalia: tire todas as suas dúvidas sobre a doença
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